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Ano da Graça de Nosso Senhor de 2007

Antes de adormecer foi isto que eu vi: Chegavam-se os últimos dias do nosso estágio e aproximava-se a semana académica. De facto, eu estava consciente que depois da Páscoa seria um instantinho até ao fim do ano, mas não me apercebi do tempo passar...e dias de nostalgia chegaram com uma pressa assustadora, como se o tempo corresse contra ele próprio... Corriamos o risco de não saborear os momentos como devia de ser. No dia do cortejo, tudo aperaltadinho para o jantar, cada qual com o seu lençol... o branco destas vestes escondia a escuridão e o vazio que enchiam alguns dos corações que para ele se dirigiam... era o último... era o último em que participavamos como estudantes, o único em que seriamos finalistas, o derradeiro... aquele em que seriamos as estrelas... a noite em que todos nos iam desejar felicidades, em que os abraços se iriam repetir e repetir... em que as promessas de amizade eterna, de companheirismo fiel... todas saiam facilmente, como se de um grito de raiva se tratass...

Uma Páscoa vivida de saudade...

"Foi na noite derradeira que na ceia com os Doze, coração a coração, se deu todo e para sempre..." Quinta-Feira Santa, o meu dia preferido do ano! É aquele dia que pode calhar em Março, Abril, até podia calhar em Junho, bem sabemos que não podia, mas enfim, não importa! Seria Quinta-Feira e seria Santa! Isto chegava para dizer: Eucaristia! Adoração do Santíssimo! Noite que se une ao dia! É para mim, esta noite, tempo de estar junto d'Ele... Venerar e adorar a presença do Senhor, adorá-Lo no sacrário em espírito e verdade. Não é difícil entender porque cederam ao cansaço os discípulos... eles não sabiam o que os esperava, não entendiam as palavras de Jesus quando lhes deu a comer o Seu corpo e a beber o Seu sangue... Não é difícil compreender a fraqueza que se abateu sobre seus corpos com o avançar da madrugada... quando o enregelar dos seus ossos e o atrofiar dos seus músculos fez com que a sua resistência ao sono diminuisse e por fim abandonassem Cristo na sua agonia......

O meu Domingo de Ramos

"Nestes dias que são os últimos, falou-nos por Seu filho!" É com esta frase que medito muitas vezes sobre Jesus Cristo e o mistério da Sua vida entre nós. Deus continua a falar-nos por Seu filho, há mais de 2 milénios que assim é... Em cada olhar um sorriso, em cada gesto uma entrega. É em todo e qualquer próximo que Jesus se nos mostra e nos provoca. "Porque Ele está connosco tal como na manhã de Páscoa". A verdade é que nem sempre o encontramos... ou outras vezes...TANTAS... passamos ao lado... fingimos não ter percebido, ou estamos tão preocupados com alguma coisa (que se vem a revelar pouco importante) que nos desvia o olhar do que realmente merece atenção. Quando damos conta passou o nosso tempo e deixamo-nos cair num vazio onde nada faz sentido... Mas a Deus nada é impossível e até dos mais inóspitos lugares Ele nos consegue retirar e guiar até aos prados verdejantes. A minha Páscoa teve pouco de serena, calma ou descansada... mas foi viva, foi dura, foi vivid...

Não será hoje nem amanhã...

Há muito tempo que esperava por um Tríduo Pascal vivido e sentido de uma forma diferente, e sinceramente este proporcionou-se. Perdoem-me aqueles sobre quem depositei mais trabalho pelo facto de me ter afastado, mas acho que tomei a decisão certa, e perdoem-me ainda por cada vez mais acreditar que é uma posição de futuro e definitiva. Que bom seria podermos ver o mundo de uma perspectiva exterior... como se não fizessemos parte dele. Assim me tenho sentido eu, e que bem me tem sabido. Tanta coisa para observar, analisar. Tanto ainda que aprender e tanta coisa ainda a crescer. Agradou-me ver que há projectos que não se extinguem nas pessoas, continuam e perduram até sabe Deus quando... mas que não terminarão hoje, nem amanhã... Agrada-me o facto de que o ciclo, que eu encerrei, tenha de facto terminado e que um outro se tenha iniciado, ou retomado, quem sabe... É reconfortante saber que afinal o lobo consegue mesmo dormir com o cordeiro, que a necessidade obriga a tréguas e a ent...

A entrega de Jesus Cristo...

Um dia Jesus e Satanás estavam a conversar e Jesus perguntou a Satanás o que é que ele estava a fazer com as pessoas aqui da terra. Ele respondeu: -Divirto-me muito com elas, ensino-as a fazer bombas e a matar, a usar armas, a odiarem-se umas às outras, a casar e a divorciar, ensino a abusar de criancinhas, ensino os jovens usar drogas, a beber e a fazer tudo o que lhes faz mal! Estou a divertir-me muitíssimo com eles..." Jesus perguntou: - "E depois, o que vais fazer com eles?" -Vou matá-los e acabar com eles!" Jesus perguntou: -"Quanto queres por eles?" Satanás respondeu: Tu não vais querer estas pessoas: elas são traiçoeiras, mentirosas, falsas, egoistas e avarentas! Elas não te vão amar verdadeiramente, vão-te bater e cuspir no Teu rosto, vão-te desprezar e não vão levar em consideração nada daquilo que tu fizeres!" Quanto queres por elas, Satanás!?" -"Quero todas as tuas lágrimas e todo o teu sangue!" -...

As Sandálias daqueles que partiram...

Caminhando pela praia, encontrei as sandálias daqueles que um dia ousaram atravessar o mar sem medo. Que abandonaram tudo e destemidamente procuraram uma nova margem, um novo pôr do sol do outro lado do mar... Imaginei as histórias, as vidas que as suas sandálias teriam para contar, os caminhos para onde as suas pégadas me levariam. Então sentei e conversei com elas. Falaram-me de sonhos esquecidos nas profundezas dos corações dos seus donos. Relatos de desventuras sofridas, de desgostos passados e da esperança de um novo mundo. Perguntaram-me o que me prendia, o que me fazia não seguir o exemplo daqueles que deixaram tudo. Não soube responder. E apesar de arder no meu peito um fogo que me impelia à aventura, encontrei sempre um peso enorme nas minhas sandálias. Resolvi partir dali... As lembranças de saudosas vitórias eram aos poucos lavadas por lágrimas de um passado por realizar. Não queria que as minhas sandálias fossem condenadas a contar também a outros os infortúnios do seu dono...

Em cada olhar procuro o Teu olhar

LAUDATE OMNES GENTES, LAUDATE DOMINUM!!! Há uma letra de um cântico de Natal que diz: "Hoje caíram as grades das prisões, em cada homem o homem se encontrou...". É curioso pensar nisto. Mas há situações em que realmente nos sentimos unidos por algo que não sabemos explicar, por alguém que não conhecemos assim tão bem, mas que nos faz caminhar lado a lado. O salmo 150 do livro dos salmos da bíblia começa assim "Louvai o Senhor no Seu santuário, louvai-O no firmamento do céus". E continua com muitos outros exemplos de como O louvar. Experimentar estar no meio de mais de um milhar de pessoas a aclamar com voz forte, intensa e confiante o Senhor é realmente único. E se não nos der mais nada pelo menos enche-nos de coragem e confiança, porque não somos os únicos a sentir o desejo, a necessidade e o prazer de dar graças, de louvar, de contemplar. Há uma canção que começa com algo do género: "Se a tua voz trouxer mil vozes p'ra cantar...". E se for o contrár...

Os dois Anjos

Há uns tempos enviaram-me um mail com uma história muito interessante que me fez pensar e apetece-me partilhá-la. "Um certo dia, dois anjos passavam por uma aldeia e como já era tarde decidiram pernoitar. Foram, então, bater à porta de uma bela casa onde vivia gente abastada. Quando pediram um sitio onde dormir levaram-nos para um sotão frio e húmido onde não tinham sequer uma cama. Um dos anjos viu então lá um buraco e decidiu tapá-lo. O outro anjo insurgiu-se e disse: - Então eles deixam-nos nestas condições e tu ainda lhes tapas os buracos? O primeiro respondeu-lhe: - As coisas nem sempre são o que parecem. Bem, no dia seguinte, noutra aldeia quando decidiram pernoitar dirigiram-se a uma casa humilde onde a família além de lhes oferecer um bom jantar ainda lhes ofereceram as próprias camas para eles poderam dormir. Na manhã seguinte, um grande pranto se espalhava pela casa. Aquela pobre família havia perdido a sua única vaca, que dava o leite e ajudava na lavou...

Um pouco de Santo Agostinho

Numa bela tarde de verão no edificio onde frequentava um curso de música encontrei uma exposição com textos de Santo Agostinho. Uma pessoa muito especial levou-me pela mão até ao placar onde estava um texto lindíssmo escrito. A tinta era dos homens mas as palavras eram divinas... Passo a citá-lo: «Tarde Te amei, beleza tão antiga e tão nova, tarde Te amei! E eis que estavas dentro de mim e eu fora, e aí Te procurava, e eu, sem beleza, precipitava-me nessas coisas belas que Tu fizeste. Tu estavas comigo, e eu não estava contigo. Retinham-me longe de Ti aquelas coisas que não seriam se em Ti não fossem. Chamaste, e clamaste, e rompeste a minha surdez; brilhaste, cintilaste e afastaste a minha cegueira, exalaste o teu perfume e eu aspirei e suspiro por Ti; saboreei-te, e tenho fome e sede, tocaste-me, e abrasei-me no desejo da tua paz» Espero que gostem... ainda hoje recordo o dia em que os meus passos foram guiados até junto de tamanha beleza.